Campanha começou em 2014 com o objetivo de alertar e conscientizar a população contra doenças invisíveis que, se diagnosticadas precocemente, aumentam a qualidade de vida do paciente

Desde 2014, o mês de fevereiro ganhou um novo significado e cor. A campanha Fevereiro Roxo nasceu com o intuito de alertar e conscientizar a população contra três doenças crônicas: Alzheimer, Lúpus e Fibromialgia. Quando diagnosticadas precocemente, o paciente tem acesso mais rápido aos especialistas e, por consequência, aumenta a sua qualidade de vida.

Alzheimer

Doença neurológica progressiva que afeta principalmente a memória, o pensamento e o comportamento. Considerada a forma mais comum de demência, acomete principalmente pessoas idosas, provocando a degeneração das células do cérebro. Isto faz com que, aos poucos, o paciente tenha dificuldade para realizar tarefas cotidianas, lembrar de conhecidos e lugares, se comunicar com clareza e recordar de acontecimentos recentes.

Lúpus

É uma doença autoimune crônica, ou seja, o próprio sistema de defesa do corpo passa a atacar tecidos saudáveis por engano. Podendo atingir a pele, articulações, rins, coração, pulmões e o sistema nervoso.

Fibromialgia

É uma doença crônica que causa dor generalizada no corpo, principalmente nos músculos e articulações.

A médica reumatologista Sintia Oliveira explica como as doenças se apresentam na prática: “Quando falamos do Alzheimer todo mundo traz a questão do esquecimento, mas, pensando inicialmente como as primeiras evidências aparecem, muitas vezes, o paciente pode ficar contando histórias de forma repetitiva, como se fosse a primeira vez, fazendo a mesma pergunta, se perde em rotas que antes eram familiares e tem dificuldade em realizar tarefas cotidianas”.

“A Fibromialgia vai se apresentar como uma dor generalizada, uma dor que vai caminhando pelo corpo. E é uma dor crônica, ou seja, por mais de três meses. É muito comum a queixa de fadiga, cansaço extremo, que não melhora com repouso. Além de dificuldade com relação ao sono, queixas de saúde mental, como ansiedade, tristeza, angústia, dificuldade em concentração, raciocínio, esquecimento como se tivesse uma névoa mental, formigamento, dormência e dor de cabeça. Já o Lúpus pode se apresentar de diversas formas. Ele pode acometer a pele, os rins ou vários órgãos ao mesmo tempo. Ele pode aparecer de forma mais branda ou iniciar de uma forma mais intensa com internação hospitalar. Pode ter acometimento da pele com lesões cutâneas, queda de cabelo, cansaço extremo, febre, dor e inchaço articular, sensação de mal estar, comprometimento do coração, dos pulmões, dos rins, de células do sangue”, explica Sintia.

Sintia pontua que, no começo, as queixas são inespecíficas. Por isso, muitas vezes, o diagnóstico é tardio, retardando o tratamento: “Às vezes pode vir com uma dorzinha, um cansaço e a pessoa vai levando, achando que vai passar rápido. A falta de conhecimento sobre a existência dessas doenças, traz a dificuldade de conseguir entender os sinais de alerta”. 

Além disso, a Fibromialgia e o Alzheimer não possuem marcadores laboratoriais ou exames específicos. Diferente do Lúpus que tem marcas, que o paciente já é encaminhado para o especialista quando aparecem. Mas somente a alteração de exames não é suficiente para fazer diagnóstico.

“Quando a gente pensa no Alzheimer e no Lúpus é importante entender que quanto mais precoce esse paciente receber o tratamento, mais vamos conseguir retardar a progressão da doença. Vai diminuir as queixas e vai trazer qualidade de vida. Mas a gente tem que pensar principalmente na diminuição de consequências. O lúpus quando está descompensado, em atividade intensa de doença, pode acabar causando danos em órgãos muito importantes, como coração, rim, pulmão. O paciente com Fibromialgia acaba tendo uma dor muito limitante, que não cessa e isso interfere na qualidade do sono, na socialização. Então, conseguindo iniciar o tratamento e diminuindo essas queixas a gente consegue trazer qualidade de vida para o paciente.”

Quando o assunto é prevenção, Sintia enfatiza que o melhor caminho é manter  bons hábitos de vida, uma alimentação saudável, atividade física, sono de qualidade e o controle do estresse. “A importância do tratamento não medicamentoso. Quando falamos em patologias, todo mundo olha muito para o tratamento medicamentoso. E realmente o medicamento é muito importante, não dá para ficar sem. Mas o tratamento não medicamentoso é tão importante quanto. Alimentação saudável, atividade física, sono de qualidade. No caso do Lúpus, o uso do protetor solar, chapéu, roupa com proteção UV. Na Fibromialgia a gente tem pacientes que conseguem um controle muito bom da doença só com mudanças de hábitos de vida”.

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