Os estoques dependem exclusivamente da solidariedade dos doadores e frequentemente sofrem oscilações ao longo do ano
Neste mês, celebramos a campanha Junho Vermelho, que tem papel fundamental na conscientização da população sobre a importância da doação de sangue. Afinal, os estoques dependem exclusivamente da solidariedade dos doadores e frequentemente sofrem oscilações ao longo do ano. A necessidade de sangue é permanente e a manutenção de estoques adequados é essencial para garantir atendimento seguro a pacientes em situações de emergência e em tratamentos programados.
Em apoio à campanha, o Prêmio Gestor Público Paraná (PGP-PR) entrevistou o médico cardiologista Maurício Sperandio, que respondeu algumas perguntas importantes sobre o tema. Confira:
Como uma única doação pode beneficiar diferentes pacientes?
Uma única doação de sangue pode beneficiar até quatro pessoas diferentes. Isso ocorre porque o sangue coletado é fracionado em hemocomponentes, como concentrado de hemácias, plaquetas, plasma e, em alguns casos, crioprecipitado. Cada componente tem indicações específicas e pode ser destinado a pacientes distintos, como vítimas de acidentes, pessoas em tratamento oncológico, pacientes submetidos a cirurgias complexas ou portadores de doenças hematológicas.
Quais cuidados o doador deve tomar antes e depois da doação?
Antes da doação, é importante estar bem hidratado, alimentado e descansado. Recomenda-se evitar jejum prolongado, consumo excessivo de álcool nas horas anteriores e atividades físicas intensas. Após a doação, o doador deve manter boa hidratação, alimentar-se adequadamente, evitar esforços físicos importantes por algumas horas e observar as orientações fornecidas pela equipe do hemocentro.
Quais tipos sanguíneos costumam apresentar maior escassez?
A escassez varia conforme a região e o momento, mas os tipos sanguíneos Rh negativo costumam exigir atenção especial por serem menos frequentes na população. O O negativo merece destaque por ser considerado doador universal. Já o AB negativo é um dos tipos mais raros. No entanto, todos os tipos sanguíneos são necessários, porque a demanda hospitalar é contínua e imprevisível.
Quais são os principais mitos sobre a doação de sangue que ainda precisam ser combatidos?
Ainda existem muitos mitos. Algumas pessoas acreditam que doar sangue engorda, emagrece, enfraquece permanentemente ou aumenta o risco de contrair doenças. Nada disso é verdade. Todo o material utilizado é estéril e descartável, eliminando o risco de contaminação. Outro mito comum é pensar que apenas em situações de tragédias ou grandes acidentes há necessidade de doação. Na realidade, a maior parte do sangue é utilizada diariamente em hospitais para tratamentos e procedimentos de rotina.
Pessoas com tatuagens ou piercings podem doar sangue?
Sim. A presença de tatuagens ou piercings não impede definitivamente a doação. Existe apenas um período de inaptidão temporária após sua realização, que pode variar conforme os protocolos vigentes e as condições em que o procedimento foi realizado. Por isso, é importante consultar o hemocentro para verificar os critérios atualizados.
Quem teve dengue, covid-19 ou outras doenças infecciosas pode doar sangue?
Na maioria dos casos, sim, desde que tenha transcorrido o período de afastamento determinado pelas normas de segurança e que a pessoa esteja completamente recuperada. Os critérios variam conforme a doença, sua gravidade e o tempo desde a recuperação. Já para infecções por HIV, hepatite B e C, doença de Chagas e outras mais específicas, o impedimento é definitivo. Por isso, cada caso é avaliado individualmente durante a triagem clínica realizada antes da doação.
Que mensagem o senhor deixaria para quem nunca doou sangue, mas tem interesse em ajudar?
A doação de sangue é um dos gestos mais simples e mais impactantes que uma pessoa pode realizar. São poucos minutos do seu tempo que podem representar uma vida inteira para alguém. Muitas vezes não conhecemos quem será beneficiado, mas sabemos que existe uma pessoa, uma família e uma história que dependem daquela doação. Se você tem condições de doar, procure um hemocentro, informe-se e faça essa experiência. Além de ajudar outras pessoas, você sairá com a certeza de ter contribuído diretamente para salvar vidas.
