A prevenção é o melhor remédio
As cores de julho fazem alusão a duas campanhas extremamente importantes: o Julho Amarelo e o Julho Verde. O amarelo representa a campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais. Já o verde simboliza a campanha de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. Para esclarecer os objetivos e a relevância dessas campanhas, o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Paraná (Sindafep) entrevistou o cardiologista Maurício Sperandio. E, desde já, fica o alerta: a prevenção é o melhor remédio.
Julho Amarelo
O Julho Amarelo é a campanha nacional de conscientização sobre as hepatites virais. Sua importância está em ampliar informação, prevenção, vacinação, testagem e tratamento. Muitas hepatites podem permanecer silenciosas por anos, especialmente as hepatites B e C. Por isso, para o cardiologista Maurício Sperandio, a ação é uma estratégia importante de saúde pública. “Quando diagnosticadas tarde, as hepatites podem evoluir para cirrose, insuficiência hepática, câncer de fígado e necessidade de transplante. Deste modo, a campanha é uma estratégia importante de saúde pública”.
No Brasil, as mais comuns são as hepatites A, B e C. A hepatite A geralmente está relacionada à transmissão fecal-oral, por água ou alimentos contaminados. A hepatite B pode ser transmitida por via sexual, sanguínea e da mãe para o bebê, mas tem vacina eficaz. Já a hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado e, hoje, tem tratamento com alta taxa de cura, embora ainda não exista vacina.
Muitos pacientes descobrem a doença apenas em estágios avançados porque as hepatites virais, especialmente B e C, frequentemente não causam sintomas nas fases iniciais. O paciente pode passar anos ou décadas sem perceber a infecção. Quando surgem sintomas mais evidentes, muitas vezes já existe dano hepático importante, como fibrose avançada ou cirrose. Por isso, a testagem é fundamental, mesmo na ausência de sintomas.
Os quais, quando aparecem, podem incluir cansaço, mal-estar, febre baixa, náuseas, vômitos, perda de apetite, dor abdominal, urina escura, fezes claras, além de pele e olhos amarelados, que é a icterícia. No entanto, o cardiologista Maurício Sperandio enfatiza: a ausência de sintomas não exclui hepatite. Em muitos casos, o diagnóstico só é feito por exames de sangue.
Campanhas como o Julho Amarelo contribuem para a redução dos casos porque aumentam a informação da população, reduzem o estigma, estimulam a vacinação, incentivam o uso de preservativos, alertam contra o compartilhamento de objetos com sangue e, principalmente, ampliam a testagem. Diagnosticar cedo muda o curso da doença: permite tratamento, reduz complicações, diminui transmissão e evita mortes que poderiam ser prevenidas. A mensagem central é simples, pontua Maurício Sperandio: a hepatite viral tem prevenção, tem diagnóstico e, em muitos casos, tem tratamento altamente eficaz.
Julho Verde
O Julho Verde é uma campanha de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, grupo que inclui tumores da boca, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, glândulas salivares, tireóide e outras estruturas da região. A importância da ação para a saúde pública está no fato de que muitos casos ainda são diagnosticados tardiamente, quando o tratamento costuma ser mais agressivo, com maior risco de sequelas funcionais, estéticas e impacto importante na fala, deglutição, respiração e qualidade de vida. A campanha chama atenção para prevenção, reconhecimento precoce dos sinais e procura rápida por avaliação médica ou odontológica.
O câncer de cabeça e pescoço ainda é pouco conhecido pela população porque muitos dos seus sintomas iniciais parecem problemas comuns: feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas na boca, rouquidão persistente, dor de garganta prolongada, dificuldade ou dor para engolir, sensação de algo parado na garganta, sangramentos sem causa aparente, nódulos no pescoço e alterações persistentes na voz.
“Como esses sinais são banalizados, o paciente muitas vezes posterga a consulta. Além disso, quando se fala em câncer, a população costuma lembrar mais de mama, próstata, pulmão e intestino, enquanto os tumores de cabeça e pescoço recebem menos visibilidade, apesar de sua relevância clínica”, explica Maurício.
Os principais fatores de risco são infecção pelo HPV, exposição solar sem proteção. Especialmente para câncer de lábio, má higiene oral, dieta pobre em frutas e verduras e algumas exposições ocupacionais. O tabagismo e o álcool também aumentam o risco para o câncer de cabeça e pescoço. A associação entre ambos é particularmente perigosa, porque os efeitos se somam e aumentam muito a probabilidade de desenvolvimento desses tumores. Por isso, parar de fumar e reduzir ou evitar o consumo de álcool são medidas concretas de prevenção.
Para finalizar, o cardiologista Maurício Sperandio deixa uma mensagem importante para a população. “A principal mensagem é: não normalize sintomas persistentes. Ferida na boca que não cicatriza, rouquidão prolongada, dificuldade para engolir ou caroço no pescoço não devem ser ignorados. O diagnóstico precoce pode significar tratamento menos mutilador, maior chance de cura e melhor preservação da qualidade de vida. A prevenção também é essencial: não fumar, evitar excesso de álcool, vacinar contra HPV quando indicado, proteger os lábios do sol e manter acompanhamento odontológico e médico regular”.
