Falar sobre saúde mental também é falar sobre prevenção
Neste mês de setembro, é realizada a campanha Setembro Amarelo, dedicada à conscientização sobre a prevenção do suicídio. O Prêmio Gestor Público Paraná (PGP-PR) reconhece a importância do tema e contribui para ampliar o espaço de debate sobre saúde mental. Afinal, falar sobre saúde mental também é falar sobre prevenção.
A campanha reforça a necessidade de reconhecer sinais de sofrimento, oferecer escuta e incentivar a busca por ajuda profissional. Mais do que uma mobilização ao longo do mês, a iniciativa chama atenção para a necessidade de transformar o cuidado com a saúde mental em uma prática contínua. Em apoio à campanha, o PGP-PR entrevistou o médico cardiologista Maurício Sperandio, que respondeu algumas perguntas importantes sobre o tema.
- O que é a campanha do Setembro Amarelo e por que ela é tão importante?
O Setembro Amarelo é uma campanha nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida. Ela é importante porque ajuda a romper o silêncio e o preconceito que ainda cercam o sofrimento psicológico. Ao falar sobre o tema com responsabilidade, mostramos que pedir ajuda não é sinal de fraqueza e que o suicídio pode ser prevenido. Esse cuidado, porém, não deve se limitar ao mês de setembro: precisa acontecer durante todo o ano.
- Quais são os principais sinais de alerta de que uma pessoa pode estar enfrentando um sofrimento psicológico importante?
Não existe um único sinal capaz de confirmar uma crise. O que deve chamar nossa atenção é a combinação, a intensidade ou a persistência de mudanças como tristeza profunda, ansiedade, irritabilidade, desesperança, isolamento, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono ou no apetite, queda no desempenho, descuido com a própria aparência e aumento do consumo de álcool ou outras drogas.
Falas como “não aguento mais”, “sou um peso”, “queria desaparecer” ou “a vida não tem sentido” precisam ser levadas a sério. Comentários frequentes sobre morte, despedidas incomuns, doação de objetos importantes ou busca de meios para se machucar exigem atenção imediata.
- Como familiares e amigos podem perceber mudanças de comportamento que merecem atenção?
Quem convive com a pessoa costuma conhecer sua maneira habitual de agir. Por isso, deve-se observar mudanças marcantes ou persistentes: afastamento da família e dos amigos, abandono de compromissos, perda de interesse, oscilações bruscas de humor, queda no rendimento e falas carregadas de culpa ou desesperança.
Ao perceber algo diferente, o melhor caminho é se aproximar com respeito e perguntar sinceramente como a pessoa está. É importante ouvir sem julgar, sem minimizar a dor e sem responder com frases como “isso é falta de força” ou “você tem tudo e não deveria estar assim”. Também é possível perguntar diretamente se ela está pensando em se machucar ou tirar a própria vida; essa pergunta não incentiva o suicídio e pode abrir uma oportunidade de acolhimento. Devemos oferecer ajuda concreta, inclusive acompanhando a pessoa até um profissional ou serviço de saúde.
- Que mensagem você deixaria para uma pessoa que está enfrentando um momento de sofrimento e acredita que não há saída?
Eu diria: a sua dor é real, mas você não precisa enfrentá-la sozinha. Talvez hoje você não consiga enxergar uma saída, mas isso não significa que ela não exista. Não tome uma decisão definitiva em meio a um momento de sofrimento tão intenso. Fale agora com alguém de confiança e permita que essa pessoa permaneça ao seu lado. Procure um profissional, uma Unidade Básica de Saúde ou um CAPS.
Se houver risco imediato, a pessoa não deve ficar sozinha: é preciso procurar uma UPA ou pronto-socorro, ou chamar o SAMU pelo número 192. O CVV também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo telefone 188. Pedir ajuda é um ato de coragem e pode ser o primeiro passo para que a vida volte a apresentar novas possibilidades.
