Curitiba lidera o ranking de tempo perdido no trânsito entre grandes cidades brasileiras, com 135 horas por ano durante horários de pico — à frente de São Paulo (132), Recife e Belo Horizonte (130). Porto Alegre (125) e Fortaleza (121) também ultrapassam 120 horas anuais. Rio de Janeiro (92), Salvador (81) e Brasília (58) aparecem em patamares inferiores.
Os dados são de um estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), uma empresa brasileira de referência especializada em consultoria, inteligência de mercado e capacitação profissional nas áreas de logística e gestão da cadeia de suprimentos. O instituto realiza pesquisas e análises estratégicas por meio da plataforma ILOS Prime, fornecendo indicadores e tendências do mercado logístico brasileiro.
Segundo o instituto, para operações logísticas urbanas, o congestionamento se traduz em menor previsibilidade de janelas de entrega, maior variabilidade no tempo de ciclo e pressão sobre a produtividade de frota. Esse impacto é ainda maior quando o veículo percorre múltiplas paradas em área urbana densa.
“A diferença de 77 horas por ano entre Curitiba e Brasília sugere que operações distribuídas nacionalmente enfrentam realidades distintas a depender da praça, o que torna difícil aplicar um único padrão de dimensionamento de frota ou de SLA de entrega”, diz o estudo.
Frota de Curitiba não para de crescer
A frota de Curitiba não para de crescer e isso explica em parte o aumento dos congestionamentos. No início do ano, a capital paranaense registrou uma marca inédita. Em janeiro, segundo informações do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), a Capital superou pela primeira vez a marca de 1,8 milhão de veículos e, com isso, ficou muito perto de alcançar a marca de um veículo por habitante.
De acordo com os dados oficiais, o município alcançou no primeiro mês de 2026 a marca de 1.815.014 veículos, entre automóveis, motocicletas, caminhonetes e outros. No mesmo mês de 2025 haviam 1.644.051 veículos ativos, o que significa que em um ano Curitiba ganhou 170.963 unidades – um acréscimo de 10,4%.
A população curitibana, por sua vez, soma 1.830.795 pessoas, conforme as Estimativas da População 2025, divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em um ano, contudo, o contingente cresceu apenas 0,09%, o que aponta uma tendência de estabilidade da população na Capital.
Com isso, temos que Curitiba apresenta, 0,99 veículos por habitante – o equivalente a 99 veículos para cada 100 pessoas. A expectativa, entretanto, é que em breve a cidade já conte com mais carros e motos do que pessoas, considerando como vem crescendo a frota curitibana e como não vem crescendo tanto a população do município.
Em Curitiba, a maior parte da frota (75,9% do total) é composta por automóveis e motocicletas. Os primeiros, com 1.087.054, respondem sozinhos por 59,9% de todos os veículos na Capital. As motos, por outro lado, somam 289.863 unidades – 16% do total.
Na sequência, aparecem ainda as caminhonetes (131.221), as camionetas (106.236), os utilitários (46.315), os caminhões (41.723) e os reboques (33.165).
O que diz a Setran
A Superintendência de Trânsito informa que não teve acesso ao compartilhamento de dados sobre o Índice de Tráfego da plataforma TomTom com base no tempo médio de viagem e no nível de congestionamento para uma análise mais técnica, a exemplo de matriz origem – como o destino dos trechos percorridos, o tempo de parada para embarque e desembarque de passageiros que utilizam aplicativos de transporte privado e a classificação do sistema viário, como vias locais, coletoras e arteriais, as quais é importante ressaltar possuem diferentes regulamentações de velocidade no município.
“A Setran ressalta que no cenário apresentado, percurso de 10 km, a abrangência da área compreende boa parte do território municipal. Mas, é preciso destacar que o sistema viário e o desenho urbano de Curitiba possuem em sua grande maioria vias de trânsito local e coletoras, com velocidades reduzidas, 30km/h e 40 km/h). Assim, não predomina o uso de vias expressas e rodovias (80 km/h) no itinerário diário, o que induz que a velocidade média de deslocamento é mais baixa, mas compatível com o sistema viário e a segurança viária urbana. Em contrapartida, este mesmo parâmetro para a velocidade média em vias arteriais indica que o congestionamento neste cenário é maior, com maiores pontos de lentidões.
A Setran salienta que Curitiba também possui alto índice de motorização no Brasil, com frota superior a 1,8 milhão de veículos, proporção de quase um veículo por habitante, entre as maiores proporções no país, sendo que 60% representam automóveis, transporte individual”, diz a nota encaminhada pelo Setran.
Para melhorias na fluidez e segurança viária, o Município por meio da SETRAN tem implantado novas tecnologias na gestão viária, a exemplo de semáforos com sensores auto adaptativos que alteram os tempos em tempo real, ajustando a programação conforme a demanda de veículos e a prioridade seletiva em eixos de BRT, permitindo menor tempo de espera no semáforo vermelho quando há a passagem de ônibus biarticulados, melhorando a mobilidade do transporte coletivo.
“Vale lembrar que, segundo dados do Censo, 27% dos curitibanos utilizam transporte coletivo para se deslocarem até o trabalho, índice superior à média nacional, de 21%. Do mesmo modo, estudo realizado pelo Instituto Cidades Responsivas, classificou Curitiba como segunda capital mais eficiente do país para deslocamento utilizando o transporte coletivo. “Curitiba também tem parceria com outras plataformas de navegação terrestre para melhor monitoramento e gestão de tráfego, permitindo análise de dados enviados por usuários de aplicativo sobre as condições de trânsito em tempo real”, diz a nota.
