Neste mês de outubro, o Prêmio Gestor Público Paraná (PGP-PR) expressa seu apoio à campanha Outubro Rosa, movimento mundial de conscientização sobre o câncer de mama, cujos objetivos são ampliar o acesso à informação, estimular hábitos que ajudam a reduzir o risco da doença, incentivar a detecção precoce e, principalmente, lembrar que o cuidado não pode se restringir a um único mês.
Segundo o médico cardiologista Maurício Sperandio, a campanha também é uma aliada no combate à desinformação: “Quando o câncer de mama é identificado no início, há maior possibilidade de cura e de tratamentos menos agressivos. A campanha também ajuda a combater o medo, a desinformação e as desigualdades no acesso aos serviços de saúde”.
Sperandio pontua que o diagnóstico tardio não pode ser atribuído apenas à mulher: “Ele resulta de uma combinação de fatores: desconhecimento dos sinais, medo de receber o diagnóstico, falta de acompanhamento regular, dificuldades financeiras ou geográficas e demora no acesso à consulta, à mamografia, à ultrassonografia, à biópsia e aos serviços especializados. A fragmentação do atendimento e a falta de acompanhamento após um exame alterado também podem atrasar a confirmação diagnóstica”.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rotina, a cada dois anos, para mulheres de 50 a 74 anos. Mulheres fora dessa faixa podem discutir individualmente os benefícios e os possíveis riscos do rastreamento com um profissional. Já quem apresenta algum sinal suspeito deve procurar atendimento imediatamente, em qualquer idade, sem esperar pela próxima mamografia. Mulheres com risco elevado também precisam de acompanhamento individualizado.
O principal sinal de alerta é um nódulo endurecido, fixo ou que esteja aumentando de tamanho. Também merecem avaliação a saída espontânea de líquido por um dos mamilos, especialmente quando sanguinolento; retração ou mudança no formato do mamilo; pele avermelhada, retraída ou com aspecto de “casca de laranja”; ferida que não melhora; aumento progressivo de uma das mamas; e caroços nas axilas ou no pescoço.
Nem toda alteração significa câncer, mas toda alteração persistente precisa ser investigada. A recomendação é que a mulher conheça o aspecto habitual de suas mamas, sem a obrigação de seguir uma técnica rígida de autoexame. Ao perceber algo diferente, deve procurar um serviço de saúde, independentemente da idade. Nessa situação, estamos falando de investigação diagnóstica, e não de mamografia de rotina.
Palavra do Especialista, doutor Maurício Sperandio
É importante esclarecer que a mamografia não impede o surgimento do câncer, ela é utilizada para detectá-lo precocemente. Na prevenção, os principais fatores modificáveis são o excesso de peso, sobretudo após a menopausa, a inatividade física e o consumo de bebidas alcoólicas. Por isso, manter um peso adequado, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e evitar ou reduzir ao máximo o álcool são atitudes importantes. Não fumar também contribui para a saúde de maneira geral, e a amamentação, quando possível, exerce efeito protetor.
Existem ainda fatores que não podem ser modificados, como o envelhecimento, determinadas características hormonais e reprodutivas e a predisposição hereditária. Mulheres com vários casos de câncer de mama ou de ovário na família, câncer de mama em parentes jovens ou em homens devem informar esse histórico ao médico. O uso prolongado de terapia hormonal após a menopausa também deve ser avaliado individualmente, sempre com orientação profissional.
Nenhum hábito elimina totalmente o risco, assim como ter um fator de risco não significa que a mulher desenvolverá a doença. O melhor caminho é combinar um estilo de vida saudável, conhecimento do próprio corpo, avaliação individual dos riscos e acesso oportuno aos exames recomendados.
