Neste mês de novembro, o Prêmio Gestor Público Paraná (PGP-PR) expressa seu apoio à campanha Novembro Azul, reforçando a importância da conscientização sobre a saúde do homem, que vai além de uma campanha. É estar atento aos sinais do corpo, manter os cuidados preventivos em dia e buscar orientação profissional regularmente.
Segundo o médico cardiologista Maurício Sperandio, muitos homens ainda evitam procurar atendimento por medo do diagnóstico, vergonha, preconceito em relação ao toque retal ou pela ideia equivocada de que cuidar da saúde demonstra fragilidade. Há também muita desinformação sobre a doença e sobre a finalidade dos exames.
“O Novembro Azul ajuda a romper esses tabus, incentiva o diálogo e aproxima os homens dos serviços de saúde. A campanha, entretanto, não deve se resumir à realização indiscriminada de exames. Ela precisa oferecer informação de qualidade para que cada homem, junto com o profissional de saúde, avalie seus riscos e tome uma decisão consciente. Também deve-se estimular o cuidado integral durante todo o ano”, explica Maurício.
Na fase inicial, o câncer de próstata geralmente apresenta evolução silenciosa. Quando surgem sintomas, eles podem ser semelhantes aos de problemas benignos, como o aumento natural da próstata.
Devem servir de alerta a dificuldade ou demora para começar a urinar, diminuição ou interrupção do jato urinário, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, sangue na urina e disfunção erétil.
O doutor Maurício Sperandio elucida que, em fases mais avançadas, podem surgir dor óssea persistente, dificuldade para caminhar, perda de peso e fraqueza. “Esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas precisam ser investigados. O homem não deve esperar que o quadro piore para procurar atendimento”.
“O principal fator de risco é a idade, especialmente após os 60 anos. Também merecem atenção o histórico de câncer de próstata em familiares, como pai ou irmãos, sobretudo quando diagnosticado antes dos 60 anos. Além disso, determinadas alterações genéticas hereditárias e o excesso de peso, relacionado principalmente às formas mais avançadas da doença merecem atenção. O tabagismo está associado ao pior prognóstico, e algumas exposições ocupacionais também podem aumentar o risco. Algumas diretrizes médicas consideram ainda os homens negros como um grupo de risco elevado”, explica Maurício.
Segundo matéria do Portal Drauzio Varella, as desigualdades econômicas e raciais contribuem para que a população negra sofra com a negligência do acesso à saúde, educação e lazer. O resultado desses fatores é que 60% dos casos de câncer de próstata ocorrem em homens negros e a maior parte dos diagnósticos é tardia, o que dificulta o tratamento e chances de cura.
Não existe uma recomendação única de idade válida para todos. O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomendam o rastreamento sistemático de toda a população masculina sem sintomas, pois o Antígeno Prostático Específico (PSA) e o toque retal podem levar a resultados falsos, biópsias, sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários, com possíveis consequências como incontinência urinária e disfunção sexual.
Por outro lado, diretrizes de sociedades médicas recomendam que a conversa individual sobre rastreamento comece entre 45 e 50 anos para homens de risco habitual e a partir dos 40 anos para aqueles de maior risco, pessoas com forte histórico familiar ou mutações genéticas relacionadas à doença. O mais importante é que a decisão seja compartilhada, considerando idade, histórico, estado de saúde, benefícios, riscos e preferências pessoais. Homens com sintomas devem ser avaliados independentemente da idade.
Segundo o doutor Maurício, a campanha do Novembro Azul é uma excelente oportunidade para enfatizar que a saúde do homem vai muito além da próstata. “As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de adoecimento e morte da população masculina e, muitas vezes, evoluem silenciosamente. Pressão alta, colesterol alterado e diabetes podem permanecer sem sintomas por anos”, explica.
O Novembro Azul é uma oportunidade para avaliar pressão arterial, glicemia, colesterol, peso, circunferência abdominal, hábitos de vida e histórico familiar. Também é o momento de reforçar a importância da atividade física, da alimentação equilibrada, do sono adequado, da redução do consumo de álcool e do abandono do cigarro.
Muitos desses fatores estão relacionados tanto às doenças do coração quanto a diferentes tipos de câncer. Por isso, a mensagem central da campanha deve ser mais ampla: o homem não deve procurar o serviço de saúde apenas quando sente alguma coisa. Cuidar-se preventivamente, com orientação individualizada, é uma atitude de responsabilidade consigo mesmo e com a família.
Não deixe o cuidado para depois! Converse com um profissional de saúde e faça da prevenção parte da sua rotina.
